sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sombra aquática pelas auroras do meu bem


Sem nem quem ser
Seria são parecer

Livre navega e cega qual
Mar, luar dos doutos:
Hoje sua verve isopor

Artificial bacanal se insinuou
Sina.

Agora aquela semente plena
Refreia o poema como quem
Sem nem amor, nem
Flor
Adere ao jardim etéreo
Próximo ao cemitério
Da noite que brotou.

O sol se põe, sim se põe
E como o dia navega,
Navego, estóico, fluo
Nevo, nego, nervos
Sumo sacerdote do ego

A teoria me contempla o chão
E pela ode a mim encontro o pão
Relembro pontos azimutais
Nos carnavais da luz
Quais seres sem paz
E naus pelas páginas sem sal

Indiferente ser indifere
Entre os iguais felizes finais
Pelas searas bestiais
Da ignorância e do clichê.

Revolvo meu grude hipnótico
Na catarse dos idos aparelhos
Simbióticos e revisito a moral
Inspirada na cratera da habilidade
Literária

E a prática reumática
Do léxico adulador.

A estrelas aprenderam comigo
A bailar em brilhos fugazes
E coloriram o céu noturno
Com sua solidão prepotente

Os olhares artificiais dos holofotes
Não logram lágrimas

Ao saborear a maestria
Da minha pena serena

A narrar os inconscientes
Para estruturar os sonhos
Em realizações consistentes
Dos patamares semoventes
A alavancar o linguajar das gentes

Falar um dia do verdadeiro amor

A única beleza possível.

anderson carlos maciel,


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Camarada Comissário

Não, ele apenas deu uma gota minúscula do que é estar do outro lado.Não , o judeu não obrigará o alemão levar outro alemão para dentro de um forno crematório.Não senhora , ele o Juden também não ficará brincando com a pistola estando diante de uma vala comum com  centenas de corpos .O nazista  andará a pé até algum gulag na Sibéria ou voltará pra sua Alemanha.(depende em qual inverno ) deve  ele lembrar de Deus e orar para que o oficial soviético  e seus soldados não tenha passado por aldeias onde mulheres e crianças  russas, chacinados pelas ss e a sua gloriosa werchmacht..sua esposa não será  a lembrança de mulheres que já não existem mais .Nem a russa ou até mesmo a alemã.Que sorrirá com todos os lábios por um chocolate e um cigarro.Passará o soldado, murmurando, que só cumpria ordens e caso não as  tivesse cumprido ,teria sido morto, um manto de vergonha foi o derradeiro legado de hitler para a nação alemã.As vísceras de Dresden e Berlin urram para os céus e não existe uma única fresta para respirar ,para ressuscitar dos escombros, das cinzas .O soviético tenta não ver vinte milhões de pais , mães ,filhas, netos e mesmo  assim, judeu que é, não mata o alemão e dá o seu rifle a um fantasma ,que aos poucos retorna do mundo dos mortos e esse Herr viverá para encontrar no meio dos escombros, o que restou de luz nos olhos de sua família. Bom, o oficial do campo e os ss devem estar pendurados dançando por aí enquanto os cossacos tocam seu acordeom e  sua balalaica . Guerra é arame farpado rasgando a alma , cortando sonhos e abrindo com a dor outros olhos que jamais verão campos verdes e floridos até brotar alguma criança no útero estéril de tanto levar chutes de sombras que invadem amanheceres, uma gota de sangue molhando um sorriso no olhar .Olhos negros , castanhos , azuis de sonho rasgados de esperanças suando pétalas numa flor tocando o lábio do amante , esposa que espera no silêncio as sombras dos uivos vazios cansarem de açoitar .Ela um dia será sol novamente . ..Nada do que é humano me é estranho

Wilson Roberto Nogueira

P.S Em memória dos milhões de mortos na grande guerra patriótica  e da Schoah .  .

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Mozart, 1935

Poeta, fiques sentado ao piano.
Toques o presente, é hoo-hoo-hoo,
É shoo-shoo-shoo, é ric-a-nic,
Sua zombaria invejosa.

Se lançarem pedras sobre o telhado
Enquanto praticas arpejos,
É porque eles carregam pelas escadas
Um corpo em trapos.
Esteja sentado ao piano.

Esse lúcido souvenir do passado,
O divertimento;
Esse sonho arejado do futuro,
O concerto não concluído. . .
A neve está caindo.
Atinga a corda penetrante.

Seja tu a voz,
Não tu. Sejas tu, sejas tu
A voz do medo raivoso,
A voz dessa dor assediadora.

Sejas tu esse som invernal
Igual a um grande vento uivante,
Através do qual a tristeza é liberada,
dissolvendo, absolvendo
Numa reconciliação imaginária.

Podemos voltar para Mozart.
Ele era jovem, e nós, nós somos velhos.
A neve está caindo
E as rua cheias de lamentações.
Sentes, tu.


Wallace Stevens/ tradução Ricardo Pozzo



Mozart, 1935

Poet, be seated at the piano.
Play the present, its hoo-hoo-hoo,
Its shoo-shoo-shoo, its ric-a-nic,
Its envious cachinnation.

If they throw stones upon the roof
While you practice arpeggios,
It is because they carry down the stairs
A body in rags.
Be seated at the piano.

That lucid souvenir of the past,
The divertimento;
That airy dream of the future,
The unclouded concerto . . .
The snow is falling.
Strike the piercing chord.

Be thou the voice,
Not you. Be thou, be thou
The voice of angry fear,
The voice of this besieging pain.

Be thou that wintry sound
As of a great wind howling,
By which sorrow is released,
Dismissed, absolved
In a starry placating.

We may return to Mozart.
He was young, and we, we are old.
The snow is falling
And the streets are full of cries.
Be seated, thou.

Wallace Stevens

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

PRISÃO




Quero dormir
amar
dizer coisas do mar
do ar

Mas estou sozinho em meu quarto
em meu sonhos
prisão domiciliar

Queria rever estrelas
cadentes ou frias
ter alguém para falar
que me dói
corrói
destrói
talvez alguém para amar

Mas estou sozinho em meu quarto
vendo a noite passar
o sono se esvai em lágrimas
estou só
e é assim que será

Retalho de esperança
me agarro a fragrância da infância
só pra ter com o que lembrar

Eremita urbano
sou solitário ser insano
cercado de meus fantasmas

estranho ser humano
na noite calada a pensar
como Carolina ( da janela )
que não viu o tempo passar

               
Bruno Junger Mafra

BRINDE À RICOLETA



se a incerteza faz com que se trilhe espinhos
no ouvir que entorta o singular do ser
lamber carinhos em aromas mergulhados
entornam rejeição no ato de empreender

se a nitroglicerina em fios de telefone
polaridades em resmungos sem tesão
foi canto, no entanto, perdeu compaixão
provocam o sentir sem força que se dome

você que se articula em pronta sedução
no abrir e fechar portas, múltipla explosão
ao ser distante é fácil não compor carinhos
em corpos escondidos em certeiro vão?

ah, metida abelha em noturnos vendavais
tentando remover coturnos e metais
bendiga o rumo a decompor os tempos tais
desaparece – é águia – sem dizer dos ais

você, insanas as palavras que profana
e doces as agruras que sem tino emana
fraturam os cristais de vida entrecortadas
e coisas sagradas são sílabas passadas?

ao esconder meu pranto em outro colo, é em vão
a profusão ao contentar-se então que vê
você, inquieto ser - interna mutação
que em jogo afunda no sentir-perder tesão

você, homem distante num moinho andante
de pavio curto é feito pra queimar os dedos
se rotas fiscais parecem com torpedos
são frágeis compassos de um andante aos beijos?

você a rejuntar no dar acabamento
desbravador premente de um amor partido
é tipo cadafalso que resulta em trincas
abandonado escrito que em grito se estica

você foi rendilhado e colorida fita
e descortina um ser que entrega seu poder
entica o sentimentos de quem te medica
em colo de mulher no seu próprio conter

você complica o jeito de cumprir natais
de refazer a vida ao descuidar demais
você, impaciências que reverterão
desastres se não for só sedução?

se autoestima partir de enorme esforço
no preparar o próprio pão ao ser composto
você que veste mal no expor o próprio couro
é noves fora ao desvalorizar o ouro

você, um sedutor que no viver machuca
no misturar de vozes, de peles ao cantar
de gota em gota a respingar entalhes
é escadaria sem degrau nem patamar

você, um louco em marcas do estar sozinho
um laço a recompor amor em qualquer ninho?
melhor rasgar bordô que rastejar sangrando
e destelhar ao vento no canto de Orlando

não quero ser aquela que se estraçalha
se ao estruturar, a vida sempre perde a calma
se ao compor mil páginas se sentir vencida
destemperando ao revelar-se enrijecida

há féretro que aporta de um navio advento?
guerra sem armas que fermenta e é tudo ou nada?
no cais ao desfraldar a caravela ao vento
perder-se-á ao descuidar da alma amada

bandeira brasileira em corpo embalsamado
tem cores do Rio Grande em meio a lambrequins
envolto neste pano, cupins de antepassados
enterrarão a dor, que tanto foi, enfim.

 - Marilice Costi - 2009





quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Solstício termal



Quais fractais termais
Sem ais
Ou serão refrão do céu
Em tais
Carnavais.

Sei que sei e sou
E vou além

Pois não danço
Não rio,
Acima

As letras certas feitas
Fornecem sóis
Aos sós soem sair
Do mar em que naufragam
O sentido

Pincelo um elo
Amarelo por terra
Na amarra que me jazia

Teus passos bifurcam atalhos
Por assoalhos do que fui

No sul do verbete em itálico
Se encontra
Um conceito

Eleve o pensamento
Ao alto do ego
E contemple a si

Sem sal.

Anderson Carlos Maciel

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

CONTEMPLAÇÃO DO MORTO


Observo o morto.
Ainda ontem ele pegava ônibus,
pagava contas, fazia planos:
férias no campo, carro zero
ou talvez um novo amor.
Observo o morto. Os olhos que tanto
se moviam, irrequietos,
estão parados
atrás das pálpebras. Enxergam o quê?
Os ouvidos até há pouco
curiosos, estão agora surdos,
escutam o nada ou, quem sabe, sinfonias.
A língua, outrora tão falante,
emudeceu. Sentirá qual sabor?
As mãos, vejam as mãos. Enormes, brancas, paradas.
Postas no peito, já não apalpam seios,
já não podem apertar
outras mãos, ou bater no filho
desobediente, que assustado
pouco chora. Os pés, reparem
os pés, que tanto caminharam,
correram para pegar banco aberto,
fugir da chuva ou se encontrarem
furtivamente com outros pés. Os pés
imóveis dentro dos sapatos novos
agora já não dançam, já não podem dançar.
Observo o morto,
absorto. O rosto.
Até esses dias este rosto
me sorria, me contava anedotas,
me falava de mulher, futebol, da vida
que precisava dar um jeito, ai, precisava.
Observo o morto. No rosto
subitamente máscara um quase esboço
de sorriso. A morte é desconfortável
não para ele, mas para nós, os vivos.
Observo o morto. Ele até que está bem
dentro do terno, dos sapatos, dentro
do caixão – melhor, imagino, do que quando criança
no berço. (A criança quer sair
do berço. O morto não.)
Observo o morto.
Não as flores, as velas, os parentes, os amigos,
as conversas sussurradas.
A vida não me interessa agora. Me interessa
somente o morto. Observo-o,
absorto. Será que de algum lugar
ele me observa também?

Otto Leopoldo Winck

sábado, 30 de dezembro de 2017

não fujo de uma rosa dolorida
nem quero a solidão tumultuada.

para morrer eu só carrego a vida."
RR


"O que faz de nós heróis? Ir, simultaneamente, ao encontro da nossa suprema dor e da nossa suprema esperança." 

(Friedrich Nietzsche)


se a tua mão quiser viver comigo
e a tua mão não me couber, por certo
te deixo a minha pele como abrigo

te entrego o meu olhar como deserto."

RR

Sombras e Sonhos

         
Demônios povoam os sonhos.
De onde virá a Luz?
Sem medo ela porta um cálice,
Feito de dura pedra.

Em seu interior, um Sol
Tal qual uma hóstia
Tenta parti-lo em pequenos pedaços
E dar em comunhão à multidão de sombras

Uma voz cheia de poder, lhe diz
"Erga o Sol acima de tua cabeça
E mostra-o para que a multidão
Veja que tu portas a Luz".

Ela obedece e com o Sol
Na ponta dos dedos da mão esquerda
O ergue, exibindo-o para quem sofre
E as sombras se enchem de Luz


 Alvaro Domingues
se a tua mão quiser viver comigo
e a tua mão não me couber, por certo
te deixo a minha pele como abrigo

te entrego o meu olhar como deserto."
RR


DOIS REINOS 1



Sigo a entornar esta sílaba
que a memória chama
de vida. Neste tempo
de crânios alugados
e augúrios nas encruzilhadas.

(Onde o amor arrebenta
até quando canta).

Meu coração está nu,
açoitado de adeuses –
na réstia que os pássaros
deixam sobre a esperança.

Face ao breu das cidades
soterradas, recolho-me
à casa do poema
e ao templo onde dormem
tuas águas.

Minha seiva te busca
para que morra
um deserto a cada dia;

para que vejas tua face
no rastro das folhas
sobre o rio.

Há uma selva em ti
que viceja fogo; ante o claustro
e as flores do algoz.

Tua pupila acorda
sobre mim --;
e uma aurora se parte
entre dois reinos.

SALGADO MARANHÃO

(Do livro A Casca Mítica)

recado



Preciso que você veja
Entre as coisas esquecidas
A louça suja na pia
O mofo pousando cruel na doçura das frutas
Observe, por favor, se não deixei
Naquele canto do quarto
Por onde os insetos entram
Na ferrugem do ferrolho da janela da cozinha
Essa que sempre te acorda
Quando eu insisto em abrir
Assim que o sol se ajeita melhor no céu
Procure, na caixa de areia dos gatos
Entre os pelos dos bichanos onde correm as pulgas que não matei
No desgaste da bicicleta largada no jardim
Talvez no banco de trás do carro que estraga estraga e você conserta
Olhe também embaixo das espreguiçadeiras
Na agua amarga do jarro de flores que você esquece de trocar
Na ansiedade que antecede a raiva, quando a moça do telemarketing
Não atende, não atende, não atende
Sua solicitação
Entre os livros da estante, tantos não lidos _ em eterno estado de espera e culpa burguesa
Nas mil declarações de amor que lhe chegam in box
Vigie se por ali, no cheiro do café
No pão cortado, os farelos sobre a mesa
No silêncio entre as notas de sua música preferida
Dá uma olhada se não larguei por esses cantos
Os sete pedaços do meu coração


Assionara  Sousa
O Rascunho
contém um poema
que o poema
impresso
não tem

O testemunho:
na lenta rasura
na pressão do punho
na linha da letra

O cunho

Aquilo:
o que a palavra
nem


 Eduardo Tornaghi           

Ventania II



Silêncio de tempestade
prestes.
...Cinza no bojo da nuvem.
Raios,
coriscos de rasgar
vestes.
Sem script,
nem
Ensaio.
Desestabiliza,
desarruma,
desorganiza,
desnuda...
Me engole viva
e me cospe
muda.
..

Sônia Jones     .

M Ã E !!!...



sendo a pátria lugar de exilio
de tantas mães só hoje nela aqui lembradas
que meus humildes versos vão em seu auxilio
neste dia de rosas perfumadas

mulher é mãe de toda a criatura
é cobardia do homem que a faz subserviente
no emprego por estar prenhe cava sepultura
em casa tantas vezes amor não sente

lá vai ela oscilante tão formosa
leva no ventre em gestação um grande amor
como pode haver alguém cujo instinto a glosa
como se não fosse do ser o criador

mãe porque me deixas tão cedo
angustiada de serem doutros os mil cuidados
e em casa porque me olhas tão assim a medo
fomos pelo meu pai abandonados?...

sendo a gravidez no corpo formosura
e na alma da mulher a mais sublime exaltação
ao ver no seu sorriso o olhar doce de ternura
esqueço que ela é a vitima da nação

hoje quero cantar à mãe a esperança
novos tempos anunciam subtil entendimento
que ser mulher e mãe para criar uma criança
a fêmea humana deve ter merecimento

hoje toda a mãe é o alvo do carinho
mas é preciso que o seja o ano todo inteiro
não só por ser fada do prazer mais danadinho
mas por ser amor baluarte derradeiro
João Raimundo Gonçalves        


o tal não-correspondido


que importam as quimeras
mágicas do humor? busco
blindar todo meu peito
contra aqueles efeitos nocivos
dos estelionatários do amor,

desse tipo movediço,
o tal não-correspondido!


Adriano Nunes 

existência

                
 - Para Péricles Cavalcanti

ver o ver-
so sorver
essa vida
divertida,

onde a qui-
mera mora,
dentro, agora
viva aqui.

que alegria
me conduz
a ti: luz
que irradia!


Adriano Nunes 

IGUALITARISMO


Abaixo da linha da pobreza
todo mundo é da realeza.

Renan Sanves

   

Um Uivo pra Ginsberg


desde os tempos das orelhas quebradas
desde os tempos das rolhas mofadas
a poesia vaza louca e abrupta
sobre a grama dos jardins artificiais
o tempo come os relógios
o tempo devora os esqueletos
o tempo tritura as vitrines
a melancia dos prazeres rola ladeira abaixo
do fundo das latas de lixo resgata-se
os sonhos penhorados por cents de nada
e os comboios beats se espatifam
nos vales imensuráveis do delírio e da arte
até a última gota de sangue
o devaneio disseca o corpo
até a última gota de poesia
a vida agoniza em patentes de flores
em sombras trôpegas em rolos de seda vadia
em salsichas podres que despencam dos prédios
sobre os guarda-chuvas dos transeuntes
mas a poesia sobrevive como musgo na pedra
tobogãs cospem vermes
nos liquidificadores da imaginação
fervilham infernos putas pederastas
cascatas de gozo e rituais de pura anunciação
o imundo macula o mundo
e os anjos dormem
sob as folhas das samambaias oxigenadas
na fruteira inox dos acadêmicos
apodrecem os frutos colhidos
no bosque silvestre dos poetas malditos
a estrada é alma elevada aos céus
- os pássaros passam em chamas -
o asfalto derrete-se sob rodas de nuvens
a transfiguração veloz de horizontes
milhões de garrafas baganas canetas
ácidos licores lisérgicas-punhetas
e a máquina de escrever relinchando
nos campos de concentração da criação
o pasto devorado ruminado regurgitado
sobre as toalhas bordadas dos banquetes
e a mesa posta à beira do abismo
coquetéis improváveis e sementes de paraísos
o jorro o improviso os “cem-sentidos”
a vida incontida deflorando manhãs
panelas amassadas pratos quebrados
no chão da América sem cozinha
e a mescalina acendendo luas
no varal do meio-dia
Allen Ginsberg
merda ou sêmen
de pura poesia

Evandro Souza Gomes  


Ser Poeta


Se o meu poema diz quem realmente sou,
Então a minha servil sinceridade,
Não condiz com a promiscuidade,
De que me acusa o meu verso sedutor;
Que propaga tanto a felicidade,
Na verdade conhecendo apenas dor.

Se a alma dita o que sinto realmente,
Se poetar é mentir despudoradamente,
Eu confesso que poeta já não sou;
Escrever sobre o amor que não conheço,
Almejando o céu que não mereço...
Sou apenas um singelo trovador.

Talvez a minha imensa ânsia de amar,
Somada a solidão deste meu ser,
Concita a minha alma a escrever,
Poemas tão lindos de amor;
Desenhados no escudo da beleza...
Que apara a tristeza da minha dor.


José Tavares      
Atras de portas,
sou um anonimo de tudo,
um pecador das horas mortas,
um trovador mudo
x
vivo batalhas sangrentas,
derrotas sanguinarias,
inenarraveis tormentas,
e viagens imaginarias
x
espero d.Sebastiao,
que como na historia nao vem,
que venha da solidao,
mas nao vem,nao vem ninguem
x
tenho asas para que?
senao aprendi a voar,
sou como um cego,que ve,
mas pensa,estar a sonhar
x
nao vejo uma saida,
sou um desconhecido,
sem rumo na vida,
meu Deus,que anda perdido
x
nem forças tenho senhor,
para ajuda te pedir,
duvido do teu amor,
tanto estou,desiludido
x
nao me resta entao ninguem,
mas nao te quero incomodar,
que importancia e que isto tem,
com o mundo inteiro a sangrar
x
tambem tu es solitario,
e nao se importa ninguem,
no teu mundo imaginario,
secreto,que o mundo tem
x
acompanhemo-nos entao,
dou-te aquilo que posso dar,
toma Deus,a minha mao,
deixa-me Deus,ajudar
x
levar-te como uma criança,
ao jardim,para brincares,
te dar um pouco de esperança,
senhor meu Deus,para sonhares
x
ao meu colo,te embalarei,
e velarei quando dormires,
teus cabelos pentearei,
farei tudo,quanto pedires
x
deixa-me ser util senhor,
que ja nao sirvo para nada,
que ja so resta este amor,
nesta alma desgraçada
x
o tempo das sementeiras acabou,
nao tenho,o direito de existir,
sou um moribundo que restou,
que nao tarda,ira partir
x
fui um erro grotesco da vida,
caricatura perfeita,e quanto,
uma possibilidade perdida,
vazia de encanto
x
nao vejo soluçao,
deixa-me entao ir contigo,
da-me senhor,da-me a mao,
que juro,ser teu amigo.

Antonio Pinto L


SÓ...MULHER!



Vivo e revivo a vida,
Busco a essência divina,
Entro pela saída,
E conduzo a própria sina.

Escolho o meu caminho.
Caio, levanto, tropeço.
Sou raiz, invado com sucesso.

Me espero em qualquer lugar,
Pode ser em fila...atrasar ou adiantar,
Pois aonde quero ir,
Sei que hei de chegar.

Resolvi agora aceitar,
A vida como ela quer.
Determinada, sei que vou encarar.

Sem mêdo de enfrentar,
Sem receio de tropeçar.
Com orgulho me aponto e digo...
- Você é uma grande mulher.

Amarilis Pazini Aires


EPIGRAMA


Bom é ser árvore, vento,
sua grandeza inconsciente;
e não pensar, não temer,
ser, apenas: altamente.

Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte,
com o mesmo rosto tranqüilo
diante da vida ou da morte.



De Marly de Oliveira

RETRATO


Deixei em vagos espelhos
a face múltipla e vária,
mas a que ninguém conhece,
essa é a face necessária.

Escuto quando me falam,
de alma longe e rosto liso,
e os lábios vão sustentando
indiferente sorriso.

A força heróica do sonho
me empurra a distantes mares,
e estou sempre navegando
por caminhos singulares.

Inquiri o mundo, as nuvens,
o que existe e não existe,
mas, por detrás das mudanças,

permaneço a mesma, e triste.

Da poeta Marly de Oliveira

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Alma Fotografada


À Ana Coimbra, em além mar

Quanto mais páginas viro
mais a saudade aperta
e de minha mente penso que tiro
o que vive em mim sempre alerta

Sigo desfolhando alegre e feliz
seu álbum de fotografias
e por um momento, por um triz
foge de mim as nostalgias

Olhando seus olhos alegres
e de constantes sorrisos
sorrisos em meus lábios desfilam breves
me contagiando sem prévios avisos

Neste álbum de orkut
em ordem ou desordenado
eu e tudo mundo curte
tempo de hoje e de outrora passado

Não viestes de espontânea geração
isto é público e notório
Viestes para provocar emoção
a este coração simplório

Vejo-te daqui tão contente
minha eterna gata de botas
do meio do médio oriente
de lado, de frente ou de costas

Não há paisagem que não se embeleze
Seja de Madrid, Barcelona ou Sevilla
Moçambique, em Rio Zambeze
Algarve, Ribatejo ou em Seychelles Ilhas

Sorriso lindo ainda menina em Woodstock
São Paulo, ostras em Búzios ou Salvador
Seja no frevo, samba, fado ou rock
segue o sorriso franco, belo e encantador

Jovem executiva e avó em negros cabelos
resolve assumir os lindos grisalhos
Recebe Manel repleta de zelos
Fazendo de sua alma, o seu agasalho

Te desejo toda alegria e todos os sons
brindando esta vida bem aventurada
em espumas de todos os Moet Chandons
bebo esta sua pura alma fotografada


GilbertoMaha®©

O MAR, A VIDA



Este mar, este mar imenso,
Azul, prateado, cinzento,
Intenso,
Calmo, doce, lago
Ondas pequenas, manso
Como que entretido
Rochas, areia afagando
Este mar intenso,
Este mar imenso,
Onda desencontrada
Onda emaranhada
Onda altiva
Este mar intenso
Este mar imenso
É a perfeita imagem da vida
A brisa acaricia
A brisa afaga
O vento sopra
O vento range
O vento uiva
As gaivotas
Querem porto seguro
A vida mantêm-se na mansidão
A vida foge da encrespação

A vida quer lealdade…
O coração morre
Com tempestade


Isabel Simões
... Miragens estranhas...
... Ruídos baixos...
... Eles não sabem...
... Respirar com os olhos...
... Voltar ao mar...
... Correr, fugir...
... Para quem são as palmas...
... Cada conversa...
... Consigo ouvir...
... Tudo começa...
... No desamor...
... Sofrer dos males da alma...
... Tu és o teu destino...
... Eu e tu calçados...
... Gostar de olhar a merda...
... Eu sei que há paixão nas palavras...
... Amanhã será...
... A pureza de nos sentirmos...
... Um sinal de igual em tudo...
... Vamos olhar o futuro...
... Nas chamas um sentido...
... Escrever cartas e deitar no lixo...
... Movimentos descontínuos...
... Acções divergentes...
... Actos complicados, diplomáticos, urgentes...
... Pungentes razões para existir somente...
                O Silêncio das Palavras


Octávio Santana  ___________ santana1972.blogspot.com

Galho...(indriso em sístole interna)



Quisera ver-te imortal com seu brilho.
Contorcidos galhos alastram-se em povoado
Viver ou morrer ?Implora ao filho:

“Sou vida quero viver em meu quintal!”

Teu fruto que desfruto,sou TAL!

Nesta aurora ouço triste lamento.
Vejo a morte no corte de vida magistral
Tomba em sepucral,gélido cimento.


regina ferreirinha 28-05-2011

Coragem



Tempestades da vida
Rememos…
Momentos angustiantes
Sofremos…
Esperança deprimida
Oremos…
Jamais seremos como dantes
Lamentemos…
Coragem sou eu…
Não tenham medo, coragem
A salvação não morreu
O mar serena, o coração acalma
O tempo é de mudança…nova aragem
Nova alma.
Coragem sou eu, em sentimento
O caminho existe debaixo de mim
Não sou o salvador, sou conhecimento
Sou o princípio e não o fim
Coragem sou eu…O Senhor sabe
Que nada posso, nada consigo
Simplesmente em mim Ele cabe
Ele é meu amigo…
Coragem sou eu, não existe mais tempo feroz
A bonança virá, se a pedir
Sou eu…mas vem até nós
Se a noite chora, o dia será a sorrir
Coragem sou eu, olha-me fixamente
Lê as palavras, sente e devora
Não existe segredo, abro-me livremente
Vem, sou eu…vem ver a aurora
Coragem sou eu, também aflito
Junto do Senhor, peço perdão
De minha parte, Nele acredito
De vossa parte, será ou não.


José Alberto Sá

"Acerca dos espelhos sei um tanto
de alma vadia em traços de quebranto.
Sei da ‘desgrande’ sorte que se esconde.
Sei mais do quem e bem pouco do onde.
E num largo sorriso que resvala
vestido de secura
de um pensamento rico que apunhala
entendo a' low';
e entendo a cura;

e espalho pela boca esta loucura..."

Osvaldo Fernandes        

SONETO DE CONTESTAÇÃO



Eu te amo - te amo e a vida passa
Sempre o homem sozinho , sonhador
Tentando moldar da repetida argamassa
O fio partido do meu e do seu amor

A vida escorre na solidão da praça
Onde o vazio de tudo sobrepuja o calor
E o frio envenena em ondas de vinhaça
O que um dia me iludi fosse dar em flor

Eu te amo e o vento já não trás
A vida sonhada e que nos sonhos era linda
Em suas esperas de barcos e de cais

Fica então sem lda o flutuar da vinda
Resta esperar apenas , e que seja em paz
Pois se o amor é ruim , vida existe ainda


Bruno Junger Mafra- in "A Valsa Esquecida " , p. 45

A Saudade é lamina fria e afiada

A Saudade é lamina fria e afiada
Corta com crueldade
Sangra faz chorar...
mas para ti emano apenas amor...
Difícil sofrer com responsabilidade.
Não se perder... Não desesperar!

Quando a loucura chega a me cegar
Corro para o tempo... Olho o céu...
Tento apenas sorrir...
Não sinta minhas lagrimas
Te quero livre a voar!
Como ser Anjo como ser Humano?
Eu sei que vives, e por mais que a morte seja vida
Esta cidade é escura, silenciosa e fria...
Falta uma parte de mim...
Minha mão de poeta
meu coração de menina
A redenção que Liberta...

Vivi intensamente esta gota quente de vida
Vivi intensamente este amor...
Em suas Glorias e em suas desditas.
Perdoei e fui perdoada...
Fui amante e sacerdotisa
Amei intensamente
E intensamente fui amada...

Encerrou-se um ciclo...
E eu te espero neste fim
E que em breve sejamos autores de um novo inicio!

Quem eras tu anjo solitário?
Mago das estrelas...
Guardião de meus relicários

Em meus caminhos escabrosos
Como sombra companheira
Oculto me guardava...
Com tua magia, tua ciência
meus passo acompanhava

E nas horas de perigo eminente
Tua forte figura surgia na noite
Pegava-me nos braços... Salvava-me!

Amava-te em segredo
tantos anos, tantos momentos
E quando teu duro espírito mostrava a face
De ti fugia, Longe me escondia...

Mas para minha surpresa...
Me encontravas...
Trazias contigo uma bússola encantada?

Matamos monstros...
Quantos olhos famintos tentou nos devorar?
No fim... Venceu e prevaleceu o amor...
Não sinto que perdi...
Mas que agora Além de Mestre, rei, amante... Protetor
Meu anjo não é mais solitário...
O Mago está nos astros... Vencedor...

A saudade é consolada, pelo sentimento de dever cumprido
Pois mostrei ao Senhor da paixão o amor
Simplesmente e unicamente amor...
Sem sangue, sem dor, sem flechas do cupido!


Luana Thoreserc

Crescimento



Fadado crescimento
Mente sofrida
Tijolo a tijolo sem cimento
Catedral mal erguida
Desperdício de vontade
Caminho mal escolhido
Medo da liberdade
Povo encolhido
Virtudes humanas
Causas mundanas
Defeitos da inteligência…
Falência…falência.
Que maneira honesta de ser
Inconveniente saber
Que em WC gozam os ricos
Os pobres nem penicos
Sedentos assessores
Ambulâncias sem SOS
São jardins sem flores
Loucura…ninguém merece
Sem tempo para pagar
Com tempo para sofrer
Contas da vida, nosso desesperar
Que importa se estão a morrer
Fadado crescimento
Fome, raiva, ódio, Loucura
Sem verdade, sem alimento
Pobres de mente pura
Desabafai sem receio
Deixai vosso testemunho
A vida dos ricos é recreio
A dos pobres, trabalho e punho.


José Alberto Sá

Idílica imagem



No odor que paira no ar,
Sinto o teu perfume
Que exalo deliciado, na doçura
Da tua presença,
Que brilha com a luz deste sol,
De verão aquecido pela tua ternura!

Como flores nos teus cabelos,
Borboletas, esvoaçam na brisa que passa,
As copas das árvores agitam-se,
Deslumbradas com o teu caminhar
Deslizante, como sereia no mar;
As pedras da calçada sorriem,
Na doce visão das tuas belas pernas;
Fascinas quem te olhar,
Hipnotizas no teu sorriso,
Envolto nesses lábios perfeitos,
De doce mel e amora silvestre,
Num agridoce delicado,
Que a tua boca me oferece
E eu ávido, absorvo,
Em ansiosa paixão!

Desfalecem-me em ti, os meus sentidos,
Em total sensualidade,
Oh… mulher de encantos tamanhos
De idílica beleza;
Somos a felicidade,
Porque tu estás em mim
E eu estou em ti.


José Carlos Moutinho

domingo, 24 de dezembro de 2017

Bem-vindo com Poesia!




se for pra ser, será
sem dramas, inseguranças
porque o amor
quando é de fato
nem quer contrato;
ACONTECE!

Se for pra ser, será
de qualquer maneira
fora dos planos, do papel e dos danos
prepare- se:
amar é uma viagem sem volta



Lúcia Gönczy
me declaro cavalo e pecador
temporais de um corpo inexistente.

em dezembro me caso por amor."

RR

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Elegia ao Relojoeiro



(a meu pai)

Pontuou alfas
em contrapontos
do ômega...

e das mãos
se condestinaram
interstícios...
sinais da memória
(interlúdios de alguém)

Tormentos e
legendas
tocaram
salvara a expectativa
ressalvara talvez
um sonhador.

Não vingava o intento,
artíficie da hora e
do momento.
Milionésimo, centésimo ou segundo
préstimos de algum anseio,
cantara em fornituras:
a solitude
e coligia o ponto
de um próximo amanhã,
compasso do ontem a circular
o átimo de ânsias e pendores
filigranas de minuto a minuto
arrematara o segundo.

Os cilindros enxergavam,
o labor
aprisionava...
mas o tempo lhe foi súdito,
ao menos na tua mesa.

Espiral de arcanos que se anseiam
destros olhos em miríades
n'algum presto acontecimento
esteve assim a perfilhar
legendas do que se espera,
por isso,
o chamaram de relojoeiro.


Tullio S.Sartini

Nem fome nem sede
O gato em cima do telhado

é só um quadro na parede

Alvaro Posselt  

A criação da Xoxota


Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno
Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.
Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.
Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.
Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...
Buceta!


Mário Quintana.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O assoalho raso da casa


O assoalho raso da casa
Reflete o calor tórrido
Que emana

E as pegadas lá esquecidas
Coalescemnum tempo
Onde o lírio germinou


Paulo Prates Jr 

ASSOMBRAÇÃO


Quando o brilho dessa lua
Clareia todo sertão
A verdade surge nua
Em forma de assombração.
Correndo pelas estradas
Acompanhando o luar
No meio das madrugadas
Num grito de apavorar,
Ao longe se ouve distante
O latido doloroso
Esse ladrar inconstante
Assustando, pavoroso
Quem cruzasse no caminho
Quem tentasse andar sozinho
Pelas trilhas dessa terra,
Travando sempre essa guerra,
Entre vivente e defunto
Nessa luta, tudo junto
Se confunde na batalha,
Mesmo que você atalha
Por outro rumo ou estrada
Não adiantará de nada
Você não pode escapar.
Se não vier lobisomem
Outro poderá chegar
Meio bicho meio homem.
Nessa mata sem ninguém
Mula sem cabeça vem
Procurando devorar
A quem puder encontrar.
Mas, me contam e acredito
No meio de tanto maldito
Outra coisa perigosa
É gente cheia de prosa,
No meio desses fordunços
Trabalha prá coronel
Sem pena, manda pro céu.
Essa turma de jagunços.
O povo do meu sertão
Vive toda ameaçada
Bastar dizer um só não
Ou então precisa nada.
Na ponta de uma peixeira
Ou na mira de um fuzil,
De sangue, mancham a bandeira
Envergonham o Brasil.



Marcos Loures

Repto poético


Subverto
roteiros
& paisagens decifradas.

Converto
a verve erudita
em versos acessíveis.

Persigo adeptos
aptos ou ineptos
mas de coração...



 Ricardo Mainieri        

Todas são belas




Não há uma mulher sem um encanto,
Todas são belas seja no que for;
A alma, por mais oculta , em qualquer canto
Há de romper e dar a sua flor.

Mas quando não dê, temos, no entanto,
Em nós poder de tudo lhe supor,
Desde a pureza, se êsse amor é santo,
Ao mais, se o nosso amor é bem amor.

Entre as negruras de que nos rodeia
A vida, pode uma alma ser perdida?
Criatura de amor que seja feia?

Sonho que eu vivo e porque, há tanto, chamo!
Quem me dera, através da minha vida,
Encontrar , afinal, a que eu não amo!...


De Fausto Guedes Teixeira




sábado, 21 de outubro de 2017

Inspiração em Pó.



Quem busca inspirações nos labirintos do umbral,
Cantará canções ao mal desafiando o Criador,
Buscando o prazer carnal que a própria vida abomina,
Beijando os lábios da morte numa carreirinha fina;
Vendo no vidro a máscara que a própria morte pintou.

Quem busca por artifícios mudar a vida que tem,
Não tendo tempo sequer para o arrependimento,
Mentindo para si mesmo pregando que é feliz;
Anestesiando o corpo para qualquer sentimento...
O coração no esquecimento só se lembra do nariz.

Tantos seres que ainda sofrem tentando sobreviver,
Paralela outra corrida de quem debocha da sorte,
Uns aspiram tubos de oxigênio tentando buscar a vida;
Outros que são entubados a guisa da despedida...
E tantos jovens sadios aspirando o pó da morte.

Num futuro não tão longe quem sabe até se construa,
Cemitério especial para quem vem se matando,
Sem velório, vela, ou choro, sem nenhuma extrema-unção,
Somente a última dose, a saideira da vida...
E o defunto vai andando sem precisar de caixão.


José Tavares      28 de maio de 2011 21:37

O BEIJO


um silêncio súbito,
carregado de cigarras,
fez-se no mundo.



 De Ana Mariano

domingo, 1 de outubro de 2017


Nas mãos do mar
a linha do horizonte tem cerol
lá, a pipa do céu cai mais depressa
quando as margens da tarde me anoitecem.



 Wender Montenegro    

NEURA


De vagar
estou vago.

Intenso
& só.

No tenso team
dos ocupados.

Em feedback
infindável.




 Ricardo Mainieri            

               



"infinito"


era preciso
aceitar o
fim do amor: claro,
a essa altura, ( e a vida
traduzida era
pura ilusão) tudo tudo
tudo tudo tudo
mera quimera, mágica
perdida, loucura...
era preciso
acatar o
instante raro,
aquele que
dizem haver, aquela
volta por cima.
era preciso
secar a
alma para
entender o agora...
deixar
a porta aberta.



Adriano Nunes